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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Não toqueis nos ungidos... mas serão que são ungidos? Tanto faz.



Um perigoso bloqueio intelectual e emocional está sendo inserido na mente dos cristãos da Igreja brasileira. Trata-se de uma onda de conformismo acrítico, ou seja, a aceitação cômoda de não criticar as palavras e atitudes das pessoas no ambiente eclesiástico, impossibilitando o crente de provar pensamentos e atitudes de maneira biblicamente racional.
O apóstolo Paulo adverte que a nossa fé não deve ser irracional: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1)
O reformador Calvino alertou que “a fé não consiste na ignorância, senão no conhecimento; e este conhecimento há de ser não somente de Deus, senão também de sua divina vontade.” Excluindo o senso racional, o cristão ficará intelectualmente enfraquecido e mais propício a aceitar os enganos dos falsos profetas que Cristo nos alertou: “levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” (Mt 24:11).
Em primeira análise, percebemos que este bloqueio é o resultado de um terrorismo espiritual, causados por clichês como “não toqueis nos ungidos de Deus” e “não devemos julgar”, que infelizmente são ensinados e defendidos por muitos líderes. Porém, é importante salientar que na verdade trata-se de conceitos teológicos errôneos, dos quais tem como objetivo impossibilitar a pessoa de desenvolver suas faculdades mentais de raciocínio lógico, facilitando o falso líder a ter um controle manipulável dos membros de sua respectiva comunidade.
Aqueles que são resignados a esta condição acrítica, acomodam-se na posição irracional de “crente manipulado”, bloqueando qualquer ação ou iniciativa e inibindo o desejo de evoluir teologicamente. Ou seja, o crente estará sujeito à restrição de qualquer questão doutrinária e/ou moral, aprisionando sua mente ao ponto de não conseguir discernir mais o certo do errado. Neste caso, as verdades absolutas estão enganosamente contidas nas palavras de seus respectivos líderes e não na Bíblia. Com isso, não há entendimento bíblico correto dos textos sagrados, fazendo com que nos ambientes eclesiais os falsos conceitos ensinados sejam tidos como verdades espirituais absolutas e inquestionáveis.
Para as pessoas nessas condições, uma exortação vinda de alguém sobre o perigo eminente decorrente de algum erro teológico, praticamente não possui efeito, pois a comodidade e a cegueira espiritual é um impedimento para tais pessoas crescerem e se aprofundarem nas verdades bíblicas, bem como desenvolver a verdadeira fé cristã com discernimento e senso crítico. Afinal, a mentira dita várias vezes pelo falso líder torna-se verdade absoluta e a ideia apócrifa do “ungido de Deus incriticável” é facilmente implantada.
Na verdade, seguir este conceito é um tremendo engano, pois a Bíblia mostra exatamente o contrário! Um exemplo claro está em Atos 17:11, onde narra que os crentes de Beréia eram pessoas nobres, porque conferiram nas Escrituras o que ouviram de Paulo, para ver se, de fato, era verdade. Caro leitor, seja sincero! Você tem o costume de conferir na Bíblia tudo o que ouve e vê? Se a resposta for não, você pode estar vivendo algo parecido com o que descrevi acima.
Neste caso, é necessária uma atitude urgente, voltando-se para a Bíblia antes que seja tarde, pois se a mesma é a nossa única regra de fé e conduta, devemos tê-la como bússola para todas as nossas atitudes. Caso contrário, estaremos inconscientemente negando a Bíblia e depositando a nossa esperança em homens. O primeiro passo é desmistificar os dois pontos principais que causam o comodismo acrítico, citados no começo desse artigo.
1 – Não toqueis nos ungidos de Deus!
As passagens bíblicas utilizadas para defender que não devemos “tocar nos ungidos de Deus” são 1 Sm 24:6 “E disse [Davi] aos seus homens: o Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do Senhor. Dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.” e Sl 105:15 “Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas”.
Baseado nesses dois versículos, muitos líderes tendenciosos criaram uma classe especial de crentes que, segundo eles, seriam absolutamente incriticáveis ou inquestionáveis, como se fossem mediadores exclusivos entre o homem e Deus. Isso é um tremendo engano, pois o nosso único mediador é Jesus Cristo (1Tm 2:5).
Biblicamente, ungir significa “derramar óleo sobre”. Na cultura judaica antiga, era a forma de oficializar um ofício de sacerdote, ou de reis, para credenciá-los a serem mediadores entre Deus e a humanidade. Por esta razão, Jesus é chamado de Cristo ou Messias, palavras que significam “ungido”.
Em 1 Sm 24:6, Davi está falando exclusivamente de Saul, que era ungido como rei. Em Sl 105:15, o salmista fala dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Em ambos os casos, o sentido de “tocar”, segundo o contexto, significa utilizar de violência física, maltratar, estender a mão contra. Em momento algum estas passagens são direcionadas contra questionamentos e/ou críticas. Do contrário, invalidaria a repreensão do profeta Natan a Davi (2 Sm 12:1-15), a crítica e repreensão de Paulo para com Pedro em seu erro doutrinário (Gl. 2:11-16) e até mesmo o próprio Jesus em várias críticas e repreensões que o mesmo fez aos fariseus (Mateus 23:23 e Lucas 11:23).
No Novo Testamento, o termo “unção” (grego=chrisma) aparece apenas três vezes, dentro de uma mesma passagem, 1 Jo 2:20 e 27, na qual afirma que todos nós recebemos e temos conhecimento da “unção que vem do Santo“, ou seja, todos nós somos capacitados pelo Espírito Santo (2Co 1:21-22). Em comparação, a palavra “ungido” (grego=Christos) é direcionada exclusivamente para Cristo, nunca para os líderes da igreja, nem mesmo aos apóstolos.[3]
Portanto, não existe qualquer possibilidade exegética que dê margem para aplicar as passagens veterotestamentárias em questão aos líderes da igreja, tornando-os incriticáveis e imunes a repreensões.
2 – Não devemos julgar!
A primeira passagem Bíblica que devemos analisar, talvez seja a mais usada para afirmar que não devemos julgar aqueles que ensinam conceitos contrários as Escrituras. Trata-se de Mateus 7:1 “Não julgueis, para que não sejais julgados.” “Pegando este versículo isolado, de fato, a interpretação será absoluta para “não julgar”. Porém, jamais devemos interpretar textos bíblicos de maneira isolada, retirando as passagens de seus respectivos contextos. E o contexto direto da passagem nos diz claramente que Jesus não proibiu o julgamento em si, mas um tipo de julgamento específico. Vejamos: “Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.” (Mt 7:2-5)
No versículo 1, Jesus disse aos judeus que eles não deveriam julgar. Já do versículo 2 em diante, Cristo dá a razão pela qual eles não poderiam julgar: o julgamento hipócrita! Os judeus estavam condenando os pecados dos irmãos, porém eles próprios estavam praticando as mesmas coisas (e até piores). Imagine como exemplo, uma mulher que abortou uma criança criticando um bandido que matou alguém em um assalto! Por fim, no versículo 5, Cristo diz que devemos primeiramente corrigir os nossos próprios pecados, para somente depois ajudar o nosso irmão, corrigindo-o de seu erro.
Outra passagem bastante utilizada pelos líderes manipuladores é Romanos 14:10, onde diz: “Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo“. Da mesma forma que Jesus, Paulo não está condenando o julgamento em si, mas sim um julgamento específico. Segundo o contexto, alguns irmãos recém-convertidos eram legalistas, com isto os cristãos mais experientes estavam ficando impacientes. Paulo faz uma exortação para que os mesmos sejam mais tolerantes e não julguem os débeis (fracos) na fé, acolhendo-os com aceitação, pois com o tempo o amadurecimento viria naturalmente. Vale lembrar que, o que estava em questão não eram assuntos que comprometiam a ortodoxia cristã, mas sim pontos secundários da fé. Se fosse algo que comprometesse a fé cristã, Paulo com certeza teria outra atitude (Gl 1:6-7, 3:1-5, Fp 3:2, 18-19).
A Bíblia claramente instrui os cristãos a julgar todas as coisas. Prova disto está em João 7:24: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça”. No contexto da passagem, Cristo está confrontando os judeus que questionaram sua doutrina, e tinham-no acusado de ter um diabo (vs 20) e de quebrar o dia do Sábado curando um homem (Jo 5:1-16). A questão colocada por Jesus é o ato de julgar de maneira exterior e superficial, ou seja, sem conhecer realmente os fatos, tornando o julgamento injusto. O ato de julgar “pela reta justiça” tem como premissa a lei de Deus como padrão pelo qual discernimos as coisas, pois a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática.
1ª Coríntios 5 também é uma base bíblica importante a respeito do nosso dever de julgar. No versículo 3 Paulo declara, sob a inspiração do Espírito, que ele tinha julgado um membro da igreja em Corinto que estava vivendo no pecado de fornicação. Seu julgamento a tal pessoa foi “seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus”. Já nos versículos 9 a 13, Paulo lembra aos santos do seu dever de julgar as pessoas que estão dentro da igreja, se elas estão ou não obedecendo à lei de Deus. Aqueles que alegam ser cristãos e são membros da igreja, mas que são julgados como sendo desobedientes a qualquer mandamento da lei de Deus (vs 9-10), devem ser excluídos da comunhão da Igreja. Paulo, sob a inspiração do Espírito, diz para a igreja não tolerar pecadores impertinentes.
Outras passagens bíblicas também indicam que é de nossa responsabilidade julgar. Jesus pergunta às pessoas em Lucas 12:57: “E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?”. Paulo orou para que o amor dos crentes em Filipos “aumentasse mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção” (Fl 1:9). Ele disse aos Corintos: “Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo” (1 Co 1:15).
Os cristãos são solicitados a examinar tudo e reter o bem (1 Ts 5:21). Eles também são obrigados a provar se os espíritos são de Deus: “Irmãos, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora” (1 Jo 4:1). Mesmo nas reuniões cristãs eles devem “julgar” o que ouvem: “Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem” (1 Co 14:29). Os Crentes de Corinto receberam ordens para julgar imediatamente a imoralidade existente entre os seus membros (1 Co 5:1-8). Mesmo o estrangeiro de passagem não deve ser hospedado se for verificado que não se trata de uma pessoa alicerçada na verdadeira fé ( 2Jo 10,11). Deve ser considerado como anátema (maldição) àqueles que apresentarem algum tipo diferente de evangelho (Gl 1:9).
Portanto, concluímos que biblicamente é dever de todo cristão julgar, fazendo juízo através de suas faculdades mentais de raciocínio. Se alguém ensinar algo em desacordo com as Escrituras, mesmo partindo do líder de sua igreja, esta pessoa deve ser confrontada com a Bíblia, obviamente com respeito e submissão. Ninguém, absolutamente, é intocável ou incriticável, pois não há respaldo bíblico para afirmar que exista um nível de “unção especial” que anule o raciocínio para o entendimento de qualquer coisa falada, ensinada e praticada. Tudo deve ser conferido na Bíblia.
Por fim, alertamos que este ato de julgar não significa fazer injúrias ou calúnias, com comportamentos de sarcasmo e desprezo sobre a pessoa que está no erro, mas sim deve ser feito com linguagem sadia e irrepreensível, no âmbito teológico e moral (Tito 2:7-8, 1Pe 3:15-16). Se alguém está desviando-se do Evangelho e pregando heresias, a nossa obrigação é alertar, repreender, exortar e conduzir o pecador ao entendimento bíblico (2Tm 4:2-4). Caso a disciplina seja indispensável, a mesma deve ser aplicada com seriedade, amor e tristeza, sempre objetivando o arrependimento, e não a condenação eterna do pecador, algo que cabe exclusivamente a Deus.

Por Ruy Marinho (adaptado por M.A.)

domingo, 18 de novembro de 2012

Verdadeiro amor.



No Getsêmani o Mestre chorou porque sabia  que era necessário beber até ultima gota o cálice da ira santa de Deus. Logo depois enfrentou a ira de Deus ali na cruz por causa das nossas transgressões. O sangue derramado na cruz nos reconciliou com o Pai. Agora estamos livres de adorar o Filho do Homem que nos libertou.




Seja edificado ouvindo duas musicas que falam sobre o amor de Deus para conosco.

Teologizando e filosofando sobre a existência de Deus a partir da teoria do “já é e ainda não” de Oscar Cullmann.

Palavras chaves: fé – razão – Reino de Deus – Oscar Cullmann – Jürgen Moltmann – Martin Buber – Ernst Bloch - vida eterna.

Tudo aquilo que não é visível ou ainda não aconteceu, significa que não existe ou que ainda não se manifestou? Não sabemos. Muito depende da nossa abordagem: fé ou razão? Quando o assunto é “espiritual” a nossa tendência é priorizar a fé, todavia existe o risco de espiritualizar aquilo que não pode ser espiritualizado. Quando o assunto é secular, a nossa tendência é priorizar a razão, mas neste caso também existe o perigo de racionalizar ou que não pode ser racionalizado.

Todavia, o ser humano, de qualquer religião ele seja, até um ateu, vive a sua existência numa continua tensão dialética entre a fé e a razão: dependendo do assunto e do momento, priorizará ou uma ou outra.

Um exemplo esclarecedor é a “ausência” do Reino de Deus.

Em Stuttgart, na Alemanha, em 1933, o filosofo Martin Buber teve um debate com um perito em Novo Testamento sobre por que ele, judeu que admirava Jesus, mesmo assim não podia aceita-lo. Para os cristãos, ele afirmou, os judeus deviam parecer obstinados quando firmemente aguardavam a vinda de um Messias. Porque não reconhecer Jesus como o Messias? A Igreja repousa sobre a fé de que Cristo veio e que essa é a redenção que Deus concedeu à humanidade. Mas os israelitas não podem crer nisso, por que eles sabem com mais profundidade, mais realidade, que a história do mundo não virou de cabeça para baixo desde os fundamentos e que o mundo não foi redimido. Os judeus sentem a falta de redenção. A declaração de Buber assumiu um ar de lamentação aumentado nos anos seguintes, pois 1933 foi o ano em que Adolf Hitler subiu ao poder na Alemanha, acabando com qualquer duvida acerca do caráter não redimido do mundo. Como poderia um verdadeiro Messias permitir que tal mundo continuasse existindo? Como poderia existir um Libertador sem libertação?

A única explicação possível encontra-se nos ensinamentos de Jesus de que o Reino de Deus vem em estágios. E’ “agora” e também “ainda não”, presente e também futuro. Às vezes Jesus enfatizava o aspecto presente (“o reino está próximo” ou “dentro de vos”), em outras ocasiões dizia que o reino jaz no futuro (“venha o teu reino”). Martin Buber está certo quando observa que a vontade de Deus não está aparentemente sendo feita na terra como é feita no céu. Sob alguns aspectos importantes, o Reino ainda não veio completamente.

Talvez o próprio Jesus tivesse concordado com a afirmação de Buber sobre o estado do mundo. “No mundo tereis aflições”, disse Jesus aos seus discípulos. Durante um período de tempo, o Reino de Deus deve existir junto com uma rebelião ativa contra Deus. O Reino de Deus avança lentamente, humildemente, como um exercito secreto de invasão atuando dentro dos reinos governados por Satanás.

A situação, hoje, á mesma.

Onde estão os efeitos transformadores do Evangelho, onde estão os sinais do Reino de Deus? A Igreja está aí sim, enquanto o Reino de Deus parece continuar distante. Violência, pobreza, fome, sofrimento, injustiça social, morte: são todos sinais que revelam a “ausência” do Reino de Deus.

Para a cristandade e respectivamente para a humanidade, o termo “Reino de Deus” assinala uma promessa ainda não cumprida e uma esperança da qual se pede razão. A impressão, a acusação ou a simples constatação lacônica que apesar da cristianização de grande parte do nosso mundo, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação, constrange a Igreja de Cristo e a confronta com algumas perguntas: o Reino de Deus, ele ainda virá? Jesus trouxe a presença do Reino ou somente a esperança de um Reino futuro?

São muitas as respostas típicas da teologia de nossa época a respeito do Reino de Deus e da sua esperança escatológica. Esperança sempre foi assunto central na teologia e na Igreja. Parafraseando o teólogo alemão Jurgen Moltman, um comportamento, para ter sentido, só é possível dentro de um horizonte de esperança; do contrário todas as decisões e ações vão desesperadamente ao encontro do nada, ficando suspensas no ar, sem compreensão e sem sentido.

A teoria do “já é e ainda não” do teólogo suíço Oscar Cullmann, nós ajuda a entender a tensão escatológica entre o Reino de Deus presente (oculto, escondido, kenotico) e o Reino de Deus que há por vir (novos céus e uma nova terra, sem sofrimento nem lagrimas).

Oscar Culmann, usando uma terminologia da Segunda Guerra Mundial, introduz a noção do Dia D e o Dia V. Os aliados venceram os nazistas em uma batalha na Normandia, que ficou conhecida como o Dia D. Ali foi vencida uma batalha, não a guerra. Os nazistas só foram vencidos tempos depois, no confronto conhecido como Dia V. A grande invasão de Deus se deu no ministério de Jesus. A vitória foi na cruz do Calvário, onde segundo Paulo, Jesus despojou os principados e potestades, expondo-os ao desprezo público. Mas, ainda falta vencer toda obra do mal, que será vencida na Segunda Vinda de Jesus. Nós vivemos a expectativa do intervalo, entre o Dia D e o Dia V. Assim podemos entender a tensão dialética do Reino, do “já e ainda não”.

O já é e ainda não das promessas de Deus.

Sabemos que Deus é atemporal e que, em outras palavras, está acima do tempo, portanto quando Ele promete algo (por exemplo, o Messias por meio dos profetas), Ele não promete algo que vai acontecer, mas algo que já aconteceu. A Sua Palavra e o Seu eterno proposito já se cumpriu: somente falta a manifestação natural desta promessa.  A promessa da parte de Deus da vinda do Messias, para que a mesma pudesse entrar no tempo, somente precisava de condições favoráveis (plenitude dos tempos ou kairós de Deus). 

Deus tem o “futuro como propriedade do ser”, afirmava o filosofo Ernst Bloch, portanto aquilo que está proferido por Ele, apesar de que seja algo que há por vir, na realidade “já é”. Quando se trata de promessas divinas, o “ainda não” (ou seja, a sua manifestação) está ligado sim a algumas condições, mas as mesmas já estão predeterminadas pelo Autor da promessa.

O teólogo alemão Jürgen Moltmann, no seu livro “Teologia da Esperança” afirma que uma promessa é a palavra dada que anuncia uma realidade ainda não existente. Assim a promessa manifesta uma abertura do ser humano para a história futura, em que se deve esperar o cumprimento da promessa. Quando se trata de uma promessa divina, isto significa que o futuro esperado não se desenvolverá a partir do circulo das possibilidades que existem no presente, mas se realizará a partir daquilo que é possível ao Deus da promessa. Pode tratar-se, portanto, de coisas que segundo o padrão da experiência presente aparecem como impossíveis...

... Se uma palavra é palavra de promessa, isto significa que ele ainda não encontrou sua correspondência na realidade, mas está em contradição com a realidade presente e experimentável. A dúvida pode surgir sobre a palavra da promessa, quando, ela é medida pelo padrão da realidade presente. Ao contrario, surgirá a fé na palavra se a realidade presente for medida segundo o padrão da palavra da promessa. As promessas de Deus giram em torno de impossibilidades: se deparam com situações impossíveis ou ainda não reais.

Mas o que acontece quando tirarmos a fé do nosso caminho? A teoria do já é e ainda não permanece valida?

Sim, porque o que está acontecendo neste momento é um “já é e ainda não” na minha vida enquanto estou escrevendo, já sei o que vou escrever nas próximas linhas, mas ainda não finalizei este artigo. É também um “já é e ainda não” da sua vida, enquanto você está lendo, mas ainda não chegou ao final deste artigo. Se você se levantar neste momento porque o seu almoço está pronto, não poderá ler o final agora e se você morrer depois do almoço, não poderá ler o final nunca mais.

Entre o meu pensamento de me levantar da cadeira, parar de escrever e abraçar a minha esposa, existe uma tensão temporal entre a ideia e a ação. Eu já decidi de me levantar e abraçar a minha esposa, mas ainda não a abracei: é um “já é”, mas é também um “ainda não”. E se eu morrer durante o caminho para chegar até ela, o artigo não será finalizado e o “ainda não” continuará a não ser para sempre.  O mundo ficará sem o meu artigo e a minha esposa sem o meu abraço: vocês poderão ler outros artigos, mas não o meu artigo, e a minha esposa poderá receber sim um abraço, mas somente pelos poucos participantes ao meu velório. Todavia, eu conseguindo finalizar o meu artigo e em particular abraçar a minha esposa, poderei mudar ou transformar o meu ser, a minha vida, a minha historia e o meu casamento.

A humanidade vive numa continua tensão entre o presente e o futuro, entre um “já é” e “ainda não”. O presente é algo que não é mais na hora que nós antecipamos o futuro com o nosso pensamento, mas ainda não é futuro quando não se realiza e se manifesta. Desta forma podemos afirmar que o ser humano vive como suspenso num espaço temporal que é precisamente o “já é e ainda não”.

A vida, analisada racionalmente, é uma serie quase infinita de causas e efeitos, na maioria das vezes completamente casuais, durante períodos de tempos definidos entre o “já é” e o “ainda não”.

A vida assim seria, em minha opinião, muita pouca coisa: por esta razão prefiro crer que a minha vida seja um “já é” nesta terra que aguarda um “ainda não” no céu.  Sem o céu a nossa vida, e a minha em particular, não teria sentido nem logica: seria um cheque sem fundo que nunca seria descontado. Em outras palavras a vida seria sacanagem.

Apesar da minha tamanha decepção com Deus por causa da Sua aparente ausência em minha vida, ainda considero a fé nas promessas bíblicas a melhor opção para a humanidade.

Tudo aquilo que Ele não cumpriu ou deixou de cumprir em minha vida deve ter uma explicação: ou Ele não me prometeu nada e estou cobrando o que nunca foi prometido ou estou entre o “já é” e o “ainda não” e preciso aguardar mais um pouco. Não vai ser fácil aguardar serenamente, enquanto estou mais perto da minha departida que do meu nascimento, mas precisa esclarecer que não tenho outras opções.

De qualquer forma, consegui finalizar o artigo e abraçar a minha esposa (será?): isto significa que ainda estou vivo e poderei desfrutar mais uns “já é e ainda não” da minha, aparentemente inútil, existência.

Saudações

sábado, 13 de outubro de 2012

Estratégias do inferno....



Tiago 2:19  Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem”. 

Jonathan Edwards, comentando este versículo de Tiago, ressaltou, na sua época, que o simples conhecimento da existência de Deus, porquanto seja bom e necessário, não é a prova que a pessoa seja salva.

Os demônios tem um conhecimento de Deus superior à maioria dos homens, eles creem em Deus, e estremecem, porque eles estão certos de que serão punidos no inferno.

Então, dizer “eu sou salvo” somente porque você acredita em Deus é autoengano. 

Sem a regeneração pelo Espirito Santo, não existe mudança de vida e sem mudança de vida, muito provavelmente, não poderemos nos declarar “salvos”. 

Hoje, a maioria dos pregadores, para não criar desconforto nos ouvintes, deixa de esclarecer esta verdade e por esta razão nós temos muitas igrejas cheias de pessoas vazias que se acham justas, santas e salvas.

Estratégias do inferno...

Saudações

Matteo Attorre

Em que devemos crer? A importância da ressurreição de Jesus Cristo.


Romanos 4:25  o qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação”.

1 Coríntios 15:17 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados”.

As Sagradas Escrituras afirmam que Jesus Cristo morreu na cruz por causa das nossas transgressões: o Filho de Deus morreu por nós e por nossos pecados. Com a Sua morte, Jesus Cristo cumpriu as justas exigências de Deus: Ele placou a ira de Deus e consequentemente nos reconciliou com Deus. Na cruz, antes de morrer, o Senhor disse claramente: “Está consumado!” (João 19:30). Ele afirmou, em outras palavras, que por meio da cruz estava realizada a obra redentora de Jesus Cristo.  

A morte de Jesus, então, foi necessária para satisfazer a justiça divina e liberar o homem da culpa do pecado. 

A ressurreição foi necessária para demostrar que o sacrifício de Jesus Cristo foi realmente aceito por Deus. Significa que o sangue derramado na cruz era sangue de homem realmente sem pecado, significa que o sacrifício foi perfeito e para sempre. O Senhor morreu por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação, ou seja, a ressurreição de Jesus Cristo é a prova da nossa justificação. O tumulo vazio é a prova que o homem é justificado aos olhos de Deus por causa da morte de cruz de Jesus Cristo. Em 2 Coríntios 5:21 é afirmado que “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós: para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Jesus ressuscitou porque nós fomos justificados: Sua morte é a base da nossa justificação, enquanto Sua ressurreição é a prova da nossa justificação.

Pela Sua morte nós fomos justificados e uma vez justificados, Ele ressuscitou. Por esta razão em 1 Coríntios 15:17 é afirmado que sem a ressurreição de Jesus Cristo, vã seria a nossa fé, e ainda estaríamos permanecendo nos nossos pecados. A ressurreição de Jesus é a remoção de todas as duvidas do nosso coração, é a prova que o sacrifício do Senhor foi perfeito e que os nossos pecados foram perdoados.

Não é por acaso que em Romanos 10:9 a Bíblia afirma que “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. A base da nossa fé, então, não é a morte redentora de Jesus Cristo, mas deve ser a Sua ressurreição. A morte de Jesus era exigência de Deus, a ressurreição de Jesus é o recibo de Deus ao homem que a sua divida foi paga.

Saudações

Matteo Attorre