Paz seja convosco!
Nos últimos dias estava
refletindo sobre a fé quando veio a
minha mente o famoso “já é e ainda não” do teólogo suíço Oscar Cullmann, assunto
que me empolgou na época do Seminário Teológico e influenciou bastante a minha
monografia sobre o “Reino de Deus e sua esperança escatológica”. Tendo em vista
tanto os desafios pastorais futuros quanto a minha necessidade totalmente europeia
de raciocinar, perdi algumas horas de sono para refletir sobre o assunto.
Sabemos que Deus é atemporal e
que, em outras palavras, está acima do tempo, portanto quando Ele promete algo
(por exemplo, o Messias por meio dos profetas), Ele não promete algo que vai
acontecer, mas algo que já aconteceu. A Sua Palavra e o Seu eterno proposito já
se cumpriu: somente falta a manifestação natural desta promessa. A promessa da parte de Deus da vinda do
Messias, para que a mesma pudesse entrar no tempo, somente precisava de
condições favoráveis (plenitude dos tempos ou kairós de Deus).
Deus tem o “futuro como
propriedade do ser” (E. Bloch), portanto aquilo que está proferido por Ele, apesar
de que seja algo que há por vir, na realidade “já é”. Quando se trata de
promessas divinas, o “ainda não” (ou seja, a sua manifestação) está ligado a
algumas condições: uma destas é a nossa fé. Crendo que o que Ele prometeu já se
cumpriu, nos trazemos a realidade da nossa existência aquilo que foi por Ele
declarado e que já é.
O teólogo alemão Jürgen Moltmann,
no seu livro “Teologia da Esperança” afirma que uma promessa é a palavra dada
que anuncia uma realidade ainda não existente. Assim a promessa manifesta uma
abertura do ser humano para a história futura, em que se deve esperar o
cumprimento da promessa. Quando se trata de uma promessa divina, isto significa
que o futuro esperado não se desenvolverá a partir do circulo das
possibilidades que existem no presente, mas se realizará a partir daquilo que é
possível ao Deus da promessa. Pode tratar-se, portanto, de coisas que segundo o
padrão da experiência presente aparecem como impossíveis...
... Se uma palavra é palavra de
promessa, isto significa que ele ainda não encontrou sua correspondência na
realidade, mas está em contradição com a realidade presente e experimentável. A
dúvida pode surgir sobre a palavra da promessa, quando, ela é medida pelo
padrão da realidade presente. Ao contrario, surgirá a fé na palavra se a
realidade presente for medida segundo o padrão da palavra da promessa.
Na criação, Deus chamou a
existência o que não existia. Nós, pela fé, somente devemos chamar a existência
aquilo que já existe, enquanto aquilo que foi já proferido por Deus, já é. Tudo
aquilo que Deus promete já existe no mundo espiritual: precisa somente ser chamado
a existência no mundo físico. A fé é uma ferramenta poderosa para que a
promessa de Deus possa ser realidade e ser vivida hoje. “Pois, tantas quantas
forem as promessas de Deus, nele está o sim; portanto é por ele o amém, para
glória de Deus por nosso intermédio.” (2 Coríntios 1: 20).
Pela fé nos estamos em Cristo, por
meio da fé o ser humano entra no caminho da verdadeira vida. Quando a pessoa
coloca a própria vida em Cristo, está colocando não somente o seu futuro no
futuro de Cristo (vida eterna, corpo glorificado e nova criação), mas está
colocando também o próprio presente no presente de Cristo, ou seja, na presença
do Espirito Santo aqui na terra. A fé é suscitada pela promessa e por isso é
confiança absoluta no Deus que não mente e que se manterá fiel à palavra de sua
promessa. A promessa de Deus manifesta e garante um futuro ainda ausente.
Qual é a posição correta do
crente? Ele deve, primeiramente, crer que Deus existe e que é o nosso
galardoador (Hb. 11.6). Logo depois deve se posicionar crendo que a promessa
pertence a ele e que já a recebeu. Em outras palavras, por meio da fé, nós
receberemos a promessa feita por Deus o qual, conforme a Sua natureza, aos Seus
atributos e às Sagradas Escrituras, não pode mentir. Enfim deverá agradecer o Autor da promessa,
promessa que já se cumpriu.
As promessas de Deus giram em
torno de impossibilidades: se deparam com situações impossíveis ou ainda não
reais. Por esta razão o crente precisa
exercer sua fé “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova
das coisas que se não vêem” (Hb 11.1). Nas promessas está anunciado o futuro
oculto o qual, por meio da fé, age no presente.
Existe um caráter jurídico da
promessa, que é uma aliança com aqueles que pela fé recebem a promessa. As
promessas são mantidas quando de todo o coração e com todas as forças, se
confia nelas sem duvidar, enquanto o Autor da promessa não falha e não mente.
Dio vi benedica.
Matteo Attorre

Gostei de ler seu artigo. De fato as promessas são nossas e temos q nos posicionar em fé p recebe las. Ef 1:3 e 2 Co 1:20. Pra. Elizete
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