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domingo, 25 de março de 2012

A paz que nos deveria unir. O que a França Antártica nós ensina.


Nos séculos XV e XVI, os países europeus se puseram à busca de novos mundos com o objetivo de encontrar complementos para e economia europeia: Portugal e Espanha em particular.
 
Durante a Reforma Protestante Espanha e Portugal chegaram à América fundando algumas colônias. A Europa, nesta época, estava tomada de graves disputas religiosas. Essa discórdia chegou no Brasil, à Baia de Guanabara – Rio de Janeiro – e alcançou outras partes do Brasil, trazida pelos franceses, alguns hereges. 

É no sec. XVI que na rica França nasce Nicolau Durand de Villegagnon, um católico firme, diplomata, literato, advogado e navegador. Ele chegou no Brasil e no meio colonial português, fundou uma colônia numa pequena ilha do Rio de Janeiro, a “França Antártica”.

O motivo de se estabelecer numa ilha foi explicado por Villegagnon a Calvino: queria evitar que os seus comandantes fossem a terra para terem relações sexuais com as índias. Sendo inicialmente simpático à causa da Reforma e procurando elevar o nível moral e espiritual da sua colônia, Villegaignon escreveu a João Calvino solicitando o envio de colonos protestantes. A Igreja Reformada de Genebra atendeu prontamente ao pedido, enviando um grupo de evangélicos sob a liderança de dois pastores, Pierre Richier e Guillaume Chartier. Influenciado pelo ex-dominicano Jean Cointac, Villegaignon passou a entrar em atrito com os calvinistas sobre uma série de questões teológicas, reproduzindo nos trópicos o que acontecia na Europa. Ele inicialmente proibiu aos reformados a celebração da eucaristia, depois as pregações e finalmente as reuniões de oração. O pastor Chartier foi enviado à França em busca de instruções e os colonos protestantes foram expulsos da pequena ilha em que a colônia estava instalada. 

A expulsão colocou os calvinistas em contato direto com os índios tupinambás, aos quais procuraram evangelizar, sendo esse evento o primeiro contato missionário protestante com um povo não-europeu. 

Política e ideologicamente, o empreendimento francês foi obviamente um fracasso, em especial, a questão religiosa, não tendo sido resolvida na França, não o poderia ser no Brasil. Todavia, o experimento, apesar do seu trágico desfecho, tem grande valor para a história do protestantismo, em virtude do seu caráter pioneiro. A França Antártica foi a primeira tentativa de implantação de uma igreja reformada e de um trabalho missionário protestante na América Latina. 

Interessante ressaltar que as inúteis contendas teológicas e religiosas sempre provocaram divisões no meio da cristandade. As maiorias das denominações protestantes nasceram em seguida de contendas religiosas e até atos de rebeldia. A nossa sorte é que Deus consegue transformar positivamente até aquilo que em teoria deveria ser um fracasso. As diferenças teológicas, ainda hoje, provocam divisão da Igreja quando nos atribuímos mais importância ao que nos divide e não ao que nos une.

Saudaçoes

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