Nos séculos XV e XVI, os países europeus se puseram à busca de novos mundos com o objetivo de encontrar complementos para e economia europeia: Portugal e Espanha em particular.
Durante
a Reforma Protestante Espanha e Portugal chegaram à América fundando algumas
colônias. A Europa, nesta época, estava tomada de graves disputas religiosas.
Essa discórdia chegou no Brasil, à Baia de Guanabara – Rio de Janeiro – e
alcançou outras partes do Brasil, trazida pelos franceses, alguns hereges.
É no
sec. XVI que na rica França nasce Nicolau Durand de Villegagnon, um católico
firme, diplomata, literato, advogado e navegador. Ele chegou no Brasil e no
meio colonial português, fundou uma colônia numa pequena ilha do Rio de
Janeiro, a “França Antártica”.
O
motivo de se estabelecer numa ilha foi explicado por Villegagnon a Calvino:
queria evitar que os seus comandantes fossem a terra para terem relações
sexuais com as índias. Sendo inicialmente simpático à causa da Reforma e
procurando elevar o nível moral e espiritual da sua colônia, Villegaignon
escreveu a João Calvino solicitando o envio de colonos protestantes. A Igreja
Reformada de Genebra atendeu prontamente ao pedido, enviando um grupo de evangélicos
sob a liderança de dois pastores, Pierre Richier e Guillaume Chartier. Influenciado
pelo ex-dominicano Jean Cointac, Villegaignon passou a entrar em atrito com os
calvinistas sobre uma série de questões teológicas, reproduzindo nos trópicos o
que acontecia na Europa. Ele inicialmente proibiu aos reformados a celebração
da eucaristia, depois as pregações e finalmente as reuniões de oração. O pastor
Chartier foi enviado à França em busca de instruções e os colonos protestantes
foram expulsos da pequena ilha em que a colônia estava instalada.
A
expulsão colocou os calvinistas em contato direto com os índios tupinambás, aos
quais procuraram evangelizar, sendo esse evento o primeiro contato missionário
protestante com um povo não-europeu.
Política
e ideologicamente, o empreendimento francês foi obviamente um fracasso, em especial,
a questão religiosa, não tendo sido resolvida na França, não o poderia ser no
Brasil. Todavia, o experimento, apesar do seu trágico desfecho, tem grande
valor para a história do protestantismo, em virtude do seu caráter pioneiro. A
França Antártica foi a primeira tentativa de implantação de uma igreja
reformada e de um trabalho missionário protestante na América Latina.
Interessante
ressaltar que as inúteis contendas teológicas e religiosas sempre provocaram
divisões no meio da cristandade. As maiorias das denominações protestantes
nasceram em seguida de contendas religiosas e até atos de rebeldia. A nossa
sorte é que Deus consegue transformar positivamente até aquilo que em teoria
deveria ser um fracasso. As diferenças teológicas, ainda hoje, provocam divisão
da Igreja quando nos atribuímos mais importância ao que nos divide e não ao que
nos une.
Saudaçoes

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