Não somente esta Carta, mas também a Palavra denuncia a cegueira, a hipocrisia e a culpa de
uma parte da Igreja brasileira. A Igreja, a respeito de algumas questões, se
fingindo de boba, fecha os próprios olhos e, quando precisa, se tampa até o
nariz para não sentir o cheiro da podridão dos seus lideres.
Missões.
Já participei de muitas conferências e cultos de missões, já
conheci muitas pessoas que nunca falavam em missões e pessoas que sempre
falavam em missões. Mas dessas pessoas,
poucas realmente colocaram a mão no arado.
Infelizmente para muitos pastores e líderes que já conheci falar em missões é
apenas fazer moda. Para muitas igrejas fazer uma conferência missionária é
apenas mais um programa anual legal na igreja.
O culto de missões mensal parece mais algo para aliviar a consciência
diante de Deus. Poucas pessoas que conheci na minha vida realmente se importam
com missões.
Na pratica, fazer missões não está na agenda das prioridades
da Igreja. As prioridades são: ter um
ministério bem sucedido, comprar o terreno, construir o templo, o
estacionamento, as cadeiras mais confortáveis, o ar condicionado, melhorar o
som, trocar as cortinas, e lista pode continuar. Ou vocês acham que seja uma lenda a historia
de missionários enviados e depois esquecidos no campo?
A Igreja brasileira (SEPAL 2010) investe menos de 1% em
missões: os dados condenam a liderança e apontam para a sua hipocrisia. Para
fazer missões nunca a Igreja tem dinheiro: mentira e autoengano. A verdade é
que não é prioridade e ninguém gasta dinheiro com algo que não seja
prioritário. Infelizmente, parece que seja prioridade do Deus que eles afirmam
servir.
Nepotismo
eclesiástico.
A nefanda pratica do nepotismo eclesiástico tira também
muitos dos recursos que deveriam ser utilizados para fazer missões: o que
sobrar após a igreja ter pagado o salario de todos os membros da família
pastoral (filhos, netos, irmãos, cunhados, etc...) vai ser investido em
missões: migalhas.
O missionário deve viver pela fé, em final de conta ele é
missionário e o missionário tem chamado de sofrimento e pobreza, mas o pastor e
o seu parentesco, que tem chamado de prosperidade, devem necessariamente ser
todos salariados. Igrejas grandes e pequenas de Belo Horizonte testemunham esta
pratica. A desculpa é sempre a mesma: Deus colocou no meu coração de consagrar
como pastora a netinha de cinco anos, de colocar o filhinho meio lerdo no
escritório, o cunhado na tesouraria, etc... O trabalho é voluntario na Igreja
somente para os outros, nunca para o parentesco pastoral. A capa do boletim informativo sempre tem um
membro da família em destaque: aniversario, lançamento de CD, nascimento do
filho, a troca da primeira frauda etc..
A nefanda pratica do nepotismo eclesiástico tira não somente
recursos financeiros para o crescimento do Reino, mas rouba também o espaço
ministerial de pessoas que não possuem o mesmo sangue do “patriarca”. A
liderança sofre e de consequência a igreja toda. Escolha míope: o eventual
crescimento da Igreja em termos numéricos não é devido às escolhas geniais do
patriarca, mas ao proposito eterno de Deus em relação à salvação das almas.
Deus, em outras palavras, continua pastoreando a Sua Igreja apesar dos erros
voluntários e involuntários da casta pastoral.
Pecado diferenciado.
Uma boa parte da Igreja brasileira, para não incomodar a
clientela e encher a Igreja de qualquer forma, há muito tempo desistiu da
pratica de falar sobre o pecado. Todavia, quando ela cobra o pecado de alguém,
é quase sempre referente ao pecado do membro.
Quando se trata de pastores que fazem parte da liderança e do governo de
Igrejas e denominações, de repente os olhos se fecham: fornicação, adultério,
roubo, e até crimes civis e penais são contemplados com repentina benevolência
e misericórdia. Na verdade, nem se toca o assunto, por causa de uma lamentável
cumplicidade corporativa e um ignóbil pragmatismo religioso que com certeza não
honra e não glorifica o Altíssimo.
Conclusão.
Deus governa a Sua Igreja, cumprindo o Seu eterno e soberano
proposito de salvação apesar dos nossos erros e das nossas omissões. A vontade de Deus pode ser diretiva ou
permissiva, mas é sempre a Sua soberana vontade que move a Igreja e a historia
da humanidade. Se alguém se acha “o
cara”, cuidado na hora que Deus invadir o palco.
Saudações
Matteo Attorre
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